Imprimir

Imprimir Notícia

23 Set 2021 - 11:47 | Atualizada: 24 Set 2021 - 14:21

Garota de 18 anos bateu a cabeça de servidor no asfalto e amigos assistiram a briga que provocou morte

Investigações da Polícia Civil identificaram que uma jovem de 18 anos foi a responsável por causar as lesões que levaram à morte do servidor da Prefeitura de Cuiabá Rodolfo Silva da Costa. Ela já prestou depoimento e confessou a agressão. 

Ele morreu em 3 de setembro, três dias após dar entrada no Hospital Municipal de Cuiabá (HMC) com traumatismo crânio-encefálico.

O delegado responsável pelo caso, Anderson Veiga, relatou em entrevista coletiva que acreditava-se inicialmente que a morte do servidor havia ocorrido após uma sessão de espancamento em grupo.

No entanto, após as investigações e coleta de depoimentos, identificou-se que o autor da lesão fatal foi apenas uma pessoa.

O delegado contou que na noite do crime, no dia 30 de agosto, Rodolfo saiu com um amigo de muitos anos para ir até uma tabacaria no Bairro Jardim Europa. Lá, a vítima e o colega consumiram bebidas alcoólicas e conversaram.

Tempos depois a jovem de 18 anos chegou acompanhada de dois homens e o amigo de Rodolfo começou a flertar com a mulher. O colega pagou uma cerveja para ela e foi neste momento que teve início o desentendimento entre o servidor e a jovem.

Segundo o delegado, Rodolfo teria acusado a mulher de estar “se aproveitando” de seu amigo e ambos iniciaram uma discussão dentro da tabacaria. Preocupado com a confusão, o dono do local expulsou o grupo do estabelecimento e fechou as portas.

“Lá fora essa moça começou a se estranhar com a vítima, o clima esquentou entre os dois e isso evoluiu para vias de fatos com socos, tapas e puxões de cabelo”, relatou o delegado.

Ambos chegaram a cair no chão durante as agressões e a jovem ficou por cima. Foi neste momento que a mulher afirmou ter batido a cabeça de Rodolfo repetidas vezes no chão para que ele a soltasse.

Após isso, o servidor chegou a se levantar, porém, alguns segundos depois desmaiou e não acordou mais.

O delegado afirma que toda a briga foi presenciada pelo amigo de Rodolfo e pelos amigos da mulher, que em nenhum momento tentaram impedir as agressões.

Omissões

A briga que culminou no desmaio da vítima ocorreu por volta das 3h30 do dia 31 de agosto, porém Rodolfo só chegou a ser socorrido mais de quatro horas depois.

O delegado afirmou que diversas testemunhas presenciaram a vítima caída na rua e, aparentemente, nenhuma delas chamou o resgate. O policial destaca que chamou a atenção o fato do amigo de anos da vítima ter abandonado Rodolfo após a chegada de seu Uber.

Antes que eles fossem embora, um grupo se reuniu em volta de Rodolfo e até um guarda foi observar o que estava ocorrendo. No entanto, nenhum deles prestou socorro, abandonando-o ali mesmo.

“Não acreditamos na demora dos socorristas, mas na demora das pessoas responsáveis por notificar esse serviço de socorro", disse o delegado.

Investigações em andamento

A primeira fase das investigações a respeito das circunstâncias de como ocorreu o crime estão praticamente completas. Agora, a Polícia seguirá para a segunda fase para esclarecer quais as outras pessoas e eventuais agentes públicos que estiveram no local e que “deram as costas para a vítima”.

O inquérito está sendo apurado como homicídio, porém não houve nenhuma prisão deflagrada pela Polícia Civil.

Segundo Anderson, nesta próxima etapa das investigações as testemunhas serão ouvidas novamente e novas pessoas deverão prestar depoimentos.

Relembre o caso

Rodolfo foi encontrado caído em uma rua no Bairro Jardim Europa. A vítima estava com múltiplas lesões na cabeça e precisou ser levada às pressas para o hospital.

Devido à gravidade dos ferimentos, o servidor foi internado em estado gravíssimo na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Municipal de Cuiabá (HMC).

A mãe de Rodolfo, Geralda Mendes da Silva Costa, já havia denunciado o desaparecimento do filho no dia do espancamento, 31 de agosto. No entanto, apenas em 1º de setembro que os médicos entraram em contato com a família e relataram o estado de saúde da vítima.

Rodolfo chegou a ser intubado na UTI, mas não resistiu e acabou morrendo.

A família desconfiava que o homicídio da vítima pudesse ter sido motivado por homofobia. No entanto, a Polícia descartou a hipótese após o início das investigações.
 
 Imprimir