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Brasil não tem presidente. Mourão deve assumir

21 Jan 2021 - 16:14

Antero Paes de Barros*

O presidente Jair Bolsonaro não tem mais condições de liderar o país. E foi ele mesmo quem criou essa situação de isolamento nacional e internacional, com graves consequências para a população, sendo a maior delas a aceleração no número de mortes.

Sim, Bolsonaro é o responsável pela crise ter aumentado, pelo aumento no número de casos e pelo aumento vertiginoso no número de mortes, por causa da covid. Ele é o maior aliado do vírus em território nacional. Sempre debochou da doença, chamando-a inicialmente de gripezinha e mesmo agora, depois das mais de 210 mil mortes, continua agindo no picadeiro de forma a dificultar a situação de volta à normalidade do país.

Bolsonaro não tem nenhuma coerência. Seguidamente vem cometendo crimes ao receitar e recomendar a utilização da hidroxicloroquina, remédio que o mundo já atestou que não faz nenhum combate ao coronavírus.

Mas o presidente continua tentando impor a sua utilização. A Procuradoria Geral da República já perdeu a hora de mandar investigar os motivos que levaram Bolsonaro a fazer o Brasil gastar mais de R$ 300 milhões para a produção e distribuição de um remédio que não faz nenhum efeito contra a covid-19. Crime contra a saúde, crime contra a economia. Existe alguém ganhando com isso?

Na semana passada, com os cidadãos amazonenses morrendo por asfixia, por falta de oxigênio, Bolsonaro mandou o seu ministro da saúde, General Pazuello, para tentar impor a utilização preventiva da hidroxicloroquina como tratamento precoce e comprovadamente ineficaz.

A incompetência do governo brasileiro é tamanha que até o ditador venezuelano Nicolas Maduro apiedou-se do povo amazonense e mandou a sua contribuição à população com carregamentos de cilindros de oxigênio.

Um gesto que se não resolve todos os problemas de Manaus serve para aumentar os do presidente Bolsonaro, a esta altura, completamente perdido e vítima das tramas que ele mesmo articulou.

Bolsonaro tem que ser afastado urgentemente. Rodrigo Maia precisa dar início ao processo de impeachment. O Brasil não suportará esperar pelo novo presidente da Câmara dos Deputados. Bolsonaro está isolado e o Brasil, como consequência, isolando-se.

Graças ao governador João Dória, de São Paulo, um sopro de esperança existe desde domingo. Mas a nossa situação continua muito frágil e por culpa exclusivamente deste governo incapaz de Jair Bolsonaro.

Bolsonaro e seu ministro das Relações Exteriores usou e abusou de críticas aos chineses, fazendo blaque com a vacina chinesa e dizendo que o Brasil apostava mesmo na de Oxford. Resultado: a Anvisa atestou a eficiência da Coronavac – vitória de Dória e derrota de Bolsonaro – e a China paralisou a entrega de produtos primários para que possam ser fabricadas as vacinas de Oxford e da própria Coronavac, no Brasil.

Bolsonaro criticou publicamente a vacina da Pfizer e disse que ela, a Pfizer, fazia exigências descabidas ao Brasil, por isso não se interessou por sua compra. Até o momento a russa Sputinik não consegue iniciar um processo para ser aceita no Brasil. A de Oxford depende de produtos primários chineses e não há boa vontade em entregá-los.

Resta, portanto, a esperança de que, com mais habilidade, Doria consiga para o Butantan, os produtos chineses para não parar a produção. Enquanto isso, os hospitais vão enchendo e os brasileiros morrendo e o Congresso não tem coragem de interditar este mandato desastroso de Jair Bolsonaro.

Bolsonaro isolou o Brasil. Até o final de semana passada continuava dando razão a Trump, dizendo sem nenhuma prova que a eleição americana foi fraudada. Com certeza não contará com a boa vontade dos que passam a governar os Estados Unidos a partir deste 20 de janeiro.

Bolsonaro abriu crise com a Europa, especialmente com a França e, por culpa dele, o Brasil e todos os países do Mercosul perderam um tratado com a Europa que poderia melhorar a vida de todos os países do Mercosul.

Agora vem o troco da China, mostrando claramente que nessas relações globais, o Brasil é que precisa tratar bem os seus parceiros, principalmente os mais fortes.

Outras autoridades brasileiras estão tentando resolver o problema. João Doria, governador de São Paulo, tem atuado para ajudar nesse sentido. Rodrigo Maia, o presidente da Câmara dos Deputados, que já fez contato com a embaixada da China para encaminhar o problema. E o vice-presidente Mourão, que diz ter boas relações com o vice chinês, também se dispôs a ajudar.

Enciumado e isolado, Bolsonaro não dá o braço a torcer e dificulta quem quer e pode ajudar.

Isso tudo é mais que suficiente para acionar o mecanismo do impeachment. O Brasil já não tem presidente. Que venha Mourão; o remédio constitucional.

Antero Paes de Barros é advogado e jornalista. Foi vereador, deputado constituinte e senador da República.

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