Quinta-feira, 9 de julho de 2020
informe o texto

Notícias / Brasil

Sem resultados, hospitais do país abandonam a cloroquina para covid-19

27 Mai 2020 - 10:21

UOL Notícias

Sem resultados, hospitais do país abandonam a cloroquina para covid-19

Foto: Marco Santos/Agência Para

A falta de bons resultados em estudos clínicos e a percepção de que a cloroquina e a hidroxicloroquina não trazem resultados positivos no tratamento contra a covid-19 — e ainda causa efeitos colaterais — levaram hospitais do país a descartar o medicamento de seus protocolos médicos sobre a doença causada pelo novo coronavírus. 

A decisão desses hospitais contraria o novo protocolo do Ministério da Saúde, que na semana passada expandiu, sem nenhuma comprovação científica, o uso da medicação para pacientes na fase inicial da doença, como defende o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Dois dias depois da decisão do ministério, a maior pesquisa já publicada no mundo sobre a cloroquina apontou que a droga não oferece benefícios e traz riscos cardíacos aos pacientes com covid-19.

 Com base nesse estudo, a Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou a suspensão dos testes com a cloroquina por conta dos riscos aos pacientes. 

Antes mesmo da conclusão de estudos mais aprofundados, médicos e hospitais ouvidos pelo UOL apontaram a ineficácia do remédio e alertaram para os riscos. Algumas unidades de saúde chegaram a inserir a cloroquina no protocolo, mas ela foi retirada pouco tempo depois.

Segundo Frederico Jorge Ribeiro, coordenador de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do HSE (Hospital dos Servidores do Estado), no Recife, a medicação chegou a ser usada nos primeiros pacientes. Porém, como não se viu qualquer benefício, no dia 29 de março o remédio foi retirado do protocolo. 

"Já naquela época não evidenciamos resultados que mostrassem a efetividade da cloroquina no tratamento de pacientes com covid-19. Usamos em alguns pacientes do HSE, com resultados frustrantes. Além disso, a cloroquina tem o potencial de provocar arritmias, que é agravado com o uso concomitante de azitromicina. Por isso, suspendemos o uso", afirma.

Em Floriano, no Piauí, o diretor do Hospital Regional Tibério Nunes, Justino Moreira, também já havia anunciado que o protocolo fora alterado durante o curso da pandemia. "Aqui, o protocolo clínico colocava cloroquina na fase dois [do tratamento], mas ela não teve nenhum efeito benéfico." 

Outros hospitais afirmam ter como guia estudos que apontaram a ineficácia da droga. "Retiramos do nosso protocolo por causa dos inúmeros trabalhos científicos", informa Artur Gomes Neto, diretor médico da Santa Casa de Maceió. Por conta do receio da politização em torno da droga, um hospital preferiu não se posicionar. Outros três médicos consultados pelo UOL declararam não terem visto resultados positivos no tratamento feito com cloroquina e pediram para não serem identificados.

0 comentários

AVISO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do site. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O site poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema da matéria comentada.

 
Sitevip Internet