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Coronavírus: Relato de um cuiabano sobre a crise em Portugal

04 Abr 2020 - 14:12 - Atualizada em 04 Abr 2020 - 14:44

Christian Guimarães é jornalista, cuiabano radicado em Portugal

Coronavírus: Relato de um cuiabano sobre a crise em Portugal

Christian Guimarães vive em Lisboa/Portugal

Foto: Arquivo pessoal

Acordar às 06h, preparar o café da manhã e encarar meia hora de transporte público até chegar ao local de trabalho - antes das 7h30. Cumprir às 8h de labuta, depois ir para happy hour com os colegas e voltar para casa. Nunca tinha imaginado que sentiria falta de uma rotina simples como essa. Os tempos são outros. Tempos de quarentena, de Coronavírus (Covid-19).  

Desde a época da 2ª Guerra Mundial (1939-1945) que a humanidade não vive uma crise tão grande como a pandemia do Coronavírus, que já matou mais de 50 mil pessoas em todo Mundo. Aqui em Lisboa, em Portugal, onde vivo, não está sendo diferente.

Por aqui, a quarentena começou no dia 15 de Março e segue até o dia 17 Abril. Ao contrário do que vemos na Itália e Espanha, países europeus mais afetados pela pandemia, a quarentena não é obrigatória.

Em Portugal, o governo apenas esta limitando aglomerações com mais de cinco pessoas. 

Apesar da maior parte do comércio estar fechado, ainda é permitido sair de casa, cumprindo o distanciamento social, para fazer compras em supermercados e farmácias, exercícios físicos nos parques e passear com animais de estimação. 

Como cidadão estrangeiro, sou nascido em Cuiabá (MT), o que vejo na Europa é uma grande conscientização da maior parte da população sobre a gravidade da doença, e um esforço em relação ao que deve ser feito para amenizar ao máximo os efeitos da crise, que impacta mais os setores da saúde pública e economia. 























Governo faz campanha publicitária de conscientização da população. Foto: Dewis Caldas

Muitos portugueses já comparam esta situação com a última crise financeira vivida em 2008, onde muitos postos de trabalho foram extintos.

Se para os próprios portugueses a crise não é fácil, imaginem para os imigrantes que vivem com uma renda mínima. Muitos brasileiros já voltaram para perto de suas famílias e muitos outros ainda tentam conseguir um voo de regresso. 

Com o fechamento das fronteiras e diminuição drástica no número de vôos internacionais, essa situação está colocando muitas famílias em dificuldades, e por vezes sem condições de arcarem com as despesas de passagens e alimentação. Os que mais necessitam aguardam ajuda da Embaixada do Brasil.


Comércio toma medidas para evitar propagação do coronavírus. Foto: Dewis Caldas

Para tentar diminuir o impacto econômico da crise causada pelo coronavírus, o Governo Português vem utilizando medidas de auxílio financeiro para as empresas e trabalhadores. No meu caso, mesmo de quarentena, sigo recebendo parte do meu salário, que é complementado com um auxilio do Estado.

Portugal contabiliza o número de 9.886 contaminados e 246 mortes pelo Covid-19. Apesar deste cenário, a esperança é que possamos superar esses momentos difíceis, e, aos poucos, voltaremos ao convívio social, próximo de amigos e familiares. Enquanto isso, seguimos tomando as precauções necessárias para evitar a proliferação do vírus.


Lisboa esta vazia. Isolamento social é única forma eficaz de prevenção. Foto: Dewis Caldas

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