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Artigos / Julio Resende e Jocimary Brandão

Adoção que salva vidas

Pais adotivos destacam a importância da conscientização para adoção de crianças e adolescentes

23 Mai 2019 - 08:37 | Atualizado em 23 Mai 2019 - 09:37

Julio e Jocimary são pais adotivos e apoiam o trabalho da Ampara

Julio e Jocimary são pais adotivos e apoiam o trabalho da Ampara

Foto: Arquivo pessoal/redes sociais

Em defesa da iniciativa “Adoção na Passarela”, da Associação Mato-grossense de Pesquisa e Apoio à Adoção (Ampara), e, sobretudo, das crianças e adolescentes que vivem em situação de acolhimento institucional. 

Uma crítica que se pretende construtiva, mas é demasiadamente pontual pode ser destrutiva quando o trabalho do criticado é transformador de vidas e da sociedade. Este é o caso da crítica que tem sido feita por usuários das redes sociais e por jornalistas a respeito do Desfile de Adoção, realizado no Shopping Pantanal em Cuiabá pela competente Ampara, que é uma respeitável instituição do Mato Grosso de apoio à Adoção.

Realizado pela Ampara em parceria com a Comissão de Infância e Juventude (CIJ) da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT), o encontro tem por objetivo dar visibilidade e conscientizar a sociedade em relação à situação das crianças e adolescentes de 4 a 17 anos que estão aptas para adoção. 

O evento finaliza a ‘Semana da Adoção’, que contou com palestras, seminários e recreação para as crianças. Seu objetivo foi promover a conscientização e nunca concretizar de imediato uma adoção.

Sensibilizar a sociedade

Durante a iniciativa, crianças e adolescentes desfilaram no shopping junto com seus padrinhos ou com suas famílias que já adotaram, com o intuito de sensibilizar a sociedade e proporcionar novas adoções.

A crítica feita é que o desfile seria uma super-exposição dos menores, como se eles estivessem sendo vendidos. Algumas pessoas inclusive acusaram a iniciativa de racista. Entretanto, em outras edições deste desfile, algumas famílias conheceram aqueles que hoje são seus filhos adotivos. 

Importante registrarmos o que destacaram as instituições realizadoras do evento. Na edição anterior do evento, realizado em 2016, dois adolescentes, cujo perfil está fora dos parâmetros de preferência da fila de interessados, foram adotados graças ao trabalho realizado, que deu visibilidade à questão. 

A iniciativa tem sido tão exitosa na forma como aborda o problema que outros Estados realizaram eventos semelhantes, como “Esperando por você” (ES), “Adote um Pequeno Torcedor” (PE) e “Adote um Pequeno Campeão” (MG).

Compartilhar o amor 

Estes desfiles, portanto, já foram responsáveis por transformar a vida de diversos meninos e meninas. Conhecemos algumas destas famílias e a história é linda e emocionante. Convidamos a todos a conhecerem esta realidade.

Ainda de forma complementar a este argumento, é importante conhecer a história da Instituição de que está sendo criticada. A Ampara realiza diversas atividades que já transformaram a vida de centenas de pessoas. 

A Ampara promove, dentre outras iniciativas, um excelente Curso para pretendentes à adoção, Concurso de Redação nas Escolas, Apoio às crianças institucionalizadas, bem como importantes encontros de famílias que já adotaram. 

Entendo que a crítica tenha a sua razoabilidade e tenha a intenção de ser construtiva. No entanto, corre o risco de se transformar em crítica destrutiva na medida em que acusa uma instituição que tanto contribui para a transformação da sociedade.

Como pais adotivos temos plena consciência que a ideia desta iniciativa foi tão somente estimular a convivência social e mostrar a diversidade da construção familiar por meio da adoção, como bem pontuaram os organizadores do encontro. 

Relevante também destacarmos que a realização do evento ocorreu sob absoluta autorização judicial conferida pelas varas da Infância e Juventude de Cuiabá e Várzea Grande, bem como o apoio do Poder Judiciário.

Vale ainda refletir sobre um outro argumento. A possível exposição exagerada do desfile é infinitas vezes menor do que a sobre-exposição à miséria e à vida indigna proporcionada pelo abandono das famílias biológicas, pela ausência do Estado e pela omissão da sociedade.

Se estes argumentos não forem suficientes para convencer os críticos, compreendemos e aceitamos, mas, ao mesmo tempo, os convidamos para mudar da trincheira da crítica virtual para a trincheira da práxis transformadora. 

Em outras palavras, pensem na ideia de adotar uma criança. Talvez com maior participação destes críticos, não haveria mais crianças institucionalizadas no Brasil.

Este texto é assinado por uma família adotiva, que tem muita gratidão pelo trabalho da Ampara. Hoje vivemos o amor pleno com nossos filhos. Estamos muito felizes. E a cada dia amando mais nossos filhos, e agradecendo a Deus pela oportunidade de sermos pais.

(Texto publicado originalmente nas redes sociais)

Julio Resende e Jocimary Brandão

Julio Resende e Jocimary Brandão
Júlio Resende é pai adotivo e Doutor em Educação
Jocimary Brandão é mãe adotiva e Administradora
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